O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer sobre um pedido de prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação parte de uma notícia-crime apresentada por adversários políticos do ex-mandatário, que o acusam de incitação contra as instituições e de obstrução de justiça por convocar manifestações em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A medida de Moraes reacende a tensão entre o Judiciário e Bolsonaro, que reagiu duramente à ação. Em entrevista a uma rádio alinhada a sua base, ele afirmou que tal iniciativa compromete seu direito de manifestação e comparou a possível decisão a medidas típicas de regimes autoritários. O ex-presidente também está organizando uma grande mobilização na Avenida Paulista, no próximo domingo, em resposta ao que classifica como perseguição política.
O embate entre Bolsonaro e o STF não é novidade, mas desta vez, a decisão da PGR pode definir os próximos desdobramentos dessa disputa. Em casos anteriores, o procurador-geral Paulo Gonet já se manifestou contrariamente a medidas mais severas contra Bolsonaro e seus aliados, como a apreensão do passaporte do deputado Eduardo Bolsonaro e a acusação formal sobre fraude em cartão de vacinação. Resta saber se esse padrão será mantido ou se haverá um endurecimento da postura da PGR.
Nos bastidores, especula-se que a baixa popularidade do presidente Lula pode aumentar a necessidade de um fato novo que mude o cenário político. No entanto, se tal fato for a prisão de Bolsonaro, o efeito pode ser contrário ao esperado. Uma decisão desse porte teria potencial para inflamar ainda mais a base bolsonarista, transformando o ex-presidente em um mártir e, possivelmente, marcando o fim da era Lula.
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