A Justiça de São Paulo negou, em decisão proferida ontem (09/10), um pedido de indenização de R$ 1 milhão feito pelo presidente Lula contra a revista IstoÉ, os jornalistas Sérgio Pardellas e Germano Oliveira, e Davincci Lourenço de Almeida. Com a decisão, Lula terá de pagar R$ 150 mil aos advogados dos réus.
A ação foi movida em 2017 após a revista publicar uma matéria de capa intitulada "Levei mala de dinheiro para Lula". Nessa reportagem, Davincci afirmava ter levado uma mala de dinheiro em 2012 para uma terceira pessoa em um aeroporto em São Paulo, que supostamente destinaria o valor a Lula. Segundo ele, o montante estava ligado a um contrato de R$ 100 milhões da Camargo Corrêa com a Petrobras.
Lula declarou que as afirmações eram falsas e que Davincci buscava apenas fama momentânea. O presidente mencionou ainda que o entrevistado tinha um histórico de mentiras, incluindo uma alegação de que Dilma Rousseff teria ordenado a criação do zika vÃrus.
Embora as declarações tenham sido investigadas, nada foi confirmado, e Lula nunca foi acusado formalmente. Os advogados de Lula argumentaram que a revista baseou sua publicação em uma fonte sem credibilidade, sem qualquer prova para apoiar as acusações.
Em sua defesa, IstoÉ e seus jornalistas afirmaram que Davincci tinha proximidade com a famÃlia Camargo Corrêa e que a revista apenas divulgou uma entrevista relevante para o cenário polÃtico da época, sem fazer acusações diretas a Lula. A defesa destacou ainda que havia uma investigação em curso no Ministério Público.
Davincci, por sua vez, disse que havia fornecido documentos ao Ministério Público e que as informações publicadas eram verdadeiras e de interesse público.
O Tribunal de Justiça concluiu que a reportagem tinha caráter informativo, com fonte identificada e sem exageros, e negou a indenização. O relator do processo, desembargador James Siano, afirmou que na época da publicação não havia evidências concretas de que as informações fossem falsas, e que Davincci apenas reproduziu informações que já haviam sido relatadas à polÃcia. Lula ainda pode recorrer da decisão.
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